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Muito se discute que rumo seguir, uma profissão cheia de altos e baixos ou algo plenamente estável, trabalhar com o que gosta ou simplesmente fazê-lo por dinheiro. Essa questão sempre foi pessoal, porém se nota uma mudança, cada vez mais impulsionadas a aumentar a conta corrente (da forma mais rápida que puderem), as pessoas desistem de suas possíveis vocações por serem áreas demasiadamente "saturadas". Aliás, vocação já se tornou uma palavra esquecida no mercado de trabalho, termos como "concurso público" devem soar mais interessantes aos ouvidos de quem não tem personalidade ou vontade o suficiente para pensar em algo que os possam completar profissionalmente no futuro.
O fato é que há tanta preocupação com a futura condição financeira do que com a realização pessoal e profissional, mais importante, nesse mesmo pensamento, é uma sala com uma cadeira confortável e dias rotineiros do que o prazer de se trabalhar com algo que inspira e lhe desafia todos os dias.
Outra sugestão é primeiro procurar fazer algo que lhe proporcione uma base, condições financeiras razoáveis, não importando como e só depois "correr atrás" do verdadeiro sonho, lamentávelmente acaba sendo tarde demais para tal. Eis que emerge o "multi-profissional", o qual possuí duas ou mais profissões, uma por necessidade e a outra por hobby, cá entre nós, se pudessem, ficariam somente com a segunda.
Me pergunto o que será daqui pra frente quando todos perderem a vontade de descobrir com que áreas realmente se identificam. Óbviamente todos temos/teremos que pagar contas, mas não é com o pensamento apontado apenas em obter dinheiro que as coisas funcionam. Se dizem que passamos a maior parte de nossas vidas no ambiente de trabalho, que o mesmo sejá agradável e que o que se exerce seja compatível com sua personalidade, interesses e gostos.
Ao contrário de muitos, não admiro quem trabalha com o que não gosta apenas por dinheiro, apenas respeito os que o fazem por necessidade.
Soma, alucinógeno utilizado pelos personagens do romance Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Pudera existir algo similar que além do efeito não deixasse rastros ou consequências, mas o intuito não é a fuga da realidade e sim o aniquilamento de certas questões que insistem em ir e vir.
Interessante notar, por mais fraco que seja, a espécie de impulso automático que há dentro de nós em momentos não tão favoráveis, nosso alucinógeno estimulante natural.
"nosce te ipsum"
Domingo, Março 21, 2010
Segunda-feira, Janeiro 25, 2010
São Paulo, Saint Paul, San Pablo
Uma Paulista Chamada Avenida
por Marcelo Rubens Paiva (Feliz Ano Velho,1983, 8ª edição, Ed. Brasiliense)
Ou é uma menina chamada Paulista? Isso, uma garota confusa, agitada, que brilha nas retinas dos paulistas, dos ecolá aos arigatô. Uma avenida tão dialética que, na hora do rush, as pessoas que vão a pé andam mais rápido do que as que vão de rodas. Homens, mulheres e minorias andam sobre seu ventre moreno, cospem em seus poros e excitam seu corpo exposto, faça chuva, faça sol. Na cabeça, a mentalidade dela: A SEARS. Uma menina muito consumista, cheia de coisas, mas fraca de conteúdo. Nos pés, a decadência, o Ponto 4, mosquito e mosqueteiro. No centro, bem no centro, ali ó, a região pélvica. O Trianon plumoso, suas babás sensuais, velhos, bichas, meninos e meninas saindo do Dante, pipocas com cocotas, bobocas como eu, moços bons para dar uma bola, árvores tão densas que não dá para jogar bola, cheirar cola, coca-cola, kibom. Tá bom.
É o centro nervoso do capital Brazil (com Z). A cidade e sua função. As células são impressas em Brasília, cheias de demagogia, pensando assim: ó, como somos importantes. Mas é aqui, mais especificamente na Paulista, que elas são devoradas, selecionadas e guardadas nos subarranha-céus bancários. Chegam cheias de panca, são trocadas por letras de câmbio, ações, juros e correção monetária. São Paulo empapela o país. Santos é diferente: traz e manda. Conhece Santos? Aquele mar marrom com manchas de petróleo brilhando, aquela areia cinzenta com ossos de galinha e garrafas de cuba-libre vazias. No horizonte uma infinidade de navios cargueiros, lado a lado, esperando a oportunidade de desembarcar contrabandos, marinheiros e suas gonorréias. Ia ser ridículo se o mar fosse azul-claro com areias brancas, coqueiros e, no fundo, veleiros e jangadas em busca do sol.
Em cada cem habitantes paulistanos, quinze são viciados em fliperama. É a cidade da máquina, do digital, da tomada. Meninos e meninas, velhos impotentes, a Paulicéia delira apertando os botõezinhos, fazendo a bolinha subir. E ela sobe, derruba um "extra" e sobe outra. Não deixa ela cair, ô cara, cuidado com o "tilt". Mostre pra máquina que você é mais máquina do que ela. Na Avenida Paulista tem um fliperama gigantesco. É o Diversões Eletrônicas Curso Objetivo. Só que não tem bolinha, não. É gente, isso, gente que sobe, derruba um "extra" e desce. Esse "extra" é mais difícil. É a contradição do sistema, onde os felizardos serão os futuros infelizes desta mal-educada nação, pobre problema que não depende da magia da avenida. E é com má educação que o paulistano não respeitão os black posts da menina. Todos forrados de cartazes: vende-se, show, luta, eu quero ser alguém. Mas essa sujeira eu até acho uma boa, e a menina também gosta. O mundo precisa de manifestos, de letras, de apresentações. Pô, ele nos dá tanto de graça e de inspiração, porque nóis vai ficá parado, hein? Beijos para o mundo, beijos para Porto Seguro, para Arembepe, para a Avenida Niemeyer, para o Maracanã. Beijos para a Ponte Preta, para o Comando Vermelho. Força aí, Comando, o povo brasileiro está na sua luta. Por melhores condições de assalto a banco, abaixo os alarmes, mais dinheiro, menos vigilantes. Encoste a arma no gerente e diga:
- Eu não quero te machucar, só quero a grana do teu patrão.
Depois venha gastar conosco da classe média, num barzinho da Henrique Schaumann, compre um Passat, vista um belo jeans, paquere uma mina d'Augusta, sente-se e tome umas e outras conosco. Quem sabe até fumaremos um?
Hoje li no jornal que vão pôr uma antena de duzentos e setenta metros na Paulista. Nada mau, se pensarmos que a Torre Eiffel tem trezentos e poucos metros. Já pensou como vai ser mais fácil se suicidar? A ponto Rio-Niterói vai fechar as portas. Vai ter fila para se atirar lá de cima e beijar o corpo da menina, se espatifando numa velocidade aproximada de 310 quilômetros por hora.. Ufa, já imaginou que pau? A menina vai-se deliciar com as cosquinhas que esses suicidas vão fazer na pele morena dela...
Minha mãe trabalha na Avenida, no tal de World Trade Center. Bonito, né? Chique, até vou repetir, só que agora com a língua bem enrolada: WORLD TRADE CENTER. É o primeiro prédio, quase esquina com a Rebouças. O engraçado é que, em dia que faz calor, ninguém consegue trabalhar. Se abrir a janela, é por causa do barulho; se deixar fechada, morre-se sufocado. Não falei que é uma avenida dialética? Outra vantagem de trabalhar nesse prédio é que no décimo andar funciona o Consulado Americano. Assim, quando algum boy estiver com preguiça, é só ligar pra lá e avisar sobre uma suposta bomba que tenham colocado em protesto contra o imperialismo yankee. A polícia chega em poucos minutos e evacua o prédio. Fica todo mundo na calçada tomando picolé. No mundo dos negócios isto se chama "que aperto". Dá -lhe menina, dá-lhe minha amante. Beijos na sua calçada deste cara que admira você.
por Marcelo Rubens Paiva (Feliz Ano Velho,1983, 8ª edição, Ed. Brasiliense)
Ou é uma menina chamada Paulista? Isso, uma garota confusa, agitada, que brilha nas retinas dos paulistas, dos ecolá aos arigatô. Uma avenida tão dialética que, na hora do rush, as pessoas que vão a pé andam mais rápido do que as que vão de rodas. Homens, mulheres e minorias andam sobre seu ventre moreno, cospem em seus poros e excitam seu corpo exposto, faça chuva, faça sol. Na cabeça, a mentalidade dela: A SEARS. Uma menina muito consumista, cheia de coisas, mas fraca de conteúdo. Nos pés, a decadência, o Ponto 4, mosquito e mosqueteiro. No centro, bem no centro, ali ó, a região pélvica. O Trianon plumoso, suas babás sensuais, velhos, bichas, meninos e meninas saindo do Dante, pipocas com cocotas, bobocas como eu, moços bons para dar uma bola, árvores tão densas que não dá para jogar bola, cheirar cola, coca-cola, kibom. Tá bom.
É o centro nervoso do capital Brazil (com Z). A cidade e sua função. As células são impressas em Brasília, cheias de demagogia, pensando assim: ó, como somos importantes. Mas é aqui, mais especificamente na Paulista, que elas são devoradas, selecionadas e guardadas nos subarranha-céus bancários. Chegam cheias de panca, são trocadas por letras de câmbio, ações, juros e correção monetária. São Paulo empapela o país. Santos é diferente: traz e manda. Conhece Santos? Aquele mar marrom com manchas de petróleo brilhando, aquela areia cinzenta com ossos de galinha e garrafas de cuba-libre vazias. No horizonte uma infinidade de navios cargueiros, lado a lado, esperando a oportunidade de desembarcar contrabandos, marinheiros e suas gonorréias. Ia ser ridículo se o mar fosse azul-claro com areias brancas, coqueiros e, no fundo, veleiros e jangadas em busca do sol.
Em cada cem habitantes paulistanos, quinze são viciados em fliperama. É a cidade da máquina, do digital, da tomada. Meninos e meninas, velhos impotentes, a Paulicéia delira apertando os botõezinhos, fazendo a bolinha subir. E ela sobe, derruba um "extra" e sobe outra. Não deixa ela cair, ô cara, cuidado com o "tilt". Mostre pra máquina que você é mais máquina do que ela. Na Avenida Paulista tem um fliperama gigantesco. É o Diversões Eletrônicas Curso Objetivo. Só que não tem bolinha, não. É gente, isso, gente que sobe, derruba um "extra" e desce. Esse "extra" é mais difícil. É a contradição do sistema, onde os felizardos serão os futuros infelizes desta mal-educada nação, pobre problema que não depende da magia da avenida. E é com má educação que o paulistano não respeitão os black posts da menina. Todos forrados de cartazes: vende-se, show, luta, eu quero ser alguém. Mas essa sujeira eu até acho uma boa, e a menina também gosta. O mundo precisa de manifestos, de letras, de apresentações. Pô, ele nos dá tanto de graça e de inspiração, porque nóis vai ficá parado, hein? Beijos para o mundo, beijos para Porto Seguro, para Arembepe, para a Avenida Niemeyer, para o Maracanã. Beijos para a Ponte Preta, para o Comando Vermelho. Força aí, Comando, o povo brasileiro está na sua luta. Por melhores condições de assalto a banco, abaixo os alarmes, mais dinheiro, menos vigilantes. Encoste a arma no gerente e diga:
- Eu não quero te machucar, só quero a grana do teu patrão.
Depois venha gastar conosco da classe média, num barzinho da Henrique Schaumann, compre um Passat, vista um belo jeans, paquere uma mina d'Augusta, sente-se e tome umas e outras conosco. Quem sabe até fumaremos um?
Hoje li no jornal que vão pôr uma antena de duzentos e setenta metros na Paulista. Nada mau, se pensarmos que a Torre Eiffel tem trezentos e poucos metros. Já pensou como vai ser mais fácil se suicidar? A ponto Rio-Niterói vai fechar as portas. Vai ter fila para se atirar lá de cima e beijar o corpo da menina, se espatifando numa velocidade aproximada de 310 quilômetros por hora.. Ufa, já imaginou que pau? A menina vai-se deliciar com as cosquinhas que esses suicidas vão fazer na pele morena dela...
Minha mãe trabalha na Avenida, no tal de World Trade Center. Bonito, né? Chique, até vou repetir, só que agora com a língua bem enrolada: WORLD TRADE CENTER. É o primeiro prédio, quase esquina com a Rebouças. O engraçado é que, em dia que faz calor, ninguém consegue trabalhar. Se abrir a janela, é por causa do barulho; se deixar fechada, morre-se sufocado. Não falei que é uma avenida dialética? Outra vantagem de trabalhar nesse prédio é que no décimo andar funciona o Consulado Americano. Assim, quando algum boy estiver com preguiça, é só ligar pra lá e avisar sobre uma suposta bomba que tenham colocado em protesto contra o imperialismo yankee. A polícia chega em poucos minutos e evacua o prédio. Fica todo mundo na calçada tomando picolé. No mundo dos negócios isto se chama "que aperto". Dá -lhe menina, dá-lhe minha amante. Beijos na sua calçada deste cara que admira você.
Sexta-feira, Janeiro 22, 2010
Money or satisfaction
Muito se discute que rumo seguir, uma profissão cheia de altos e baixos ou algo plenamente estável, trabalhar com o que gosta ou simplesmente fazê-lo por dinheiro. Essa questão sempre foi pessoal, porém se nota uma mudança, cada vez mais impulsionadas a aumentar a conta corrente (da forma mais rápida que puderem), as pessoas desistem de suas possíveis vocações por serem áreas demasiadamente "saturadas". Aliás, vocação já se tornou uma palavra esquecida no mercado de trabalho, termos como "concurso público" devem soar mais interessantes aos ouvidos de quem não tem personalidade ou vontade o suficiente para pensar em algo que os possam completar profissionalmente no futuro.O fato é que há tanta preocupação com a futura condição financeira do que com a realização pessoal e profissional, mais importante, nesse mesmo pensamento, é uma sala com uma cadeira confortável e dias rotineiros do que o prazer de se trabalhar com algo que inspira e lhe desafia todos os dias.
Outra sugestão é primeiro procurar fazer algo que lhe proporcione uma base, condições financeiras razoáveis, não importando como e só depois "correr atrás" do verdadeiro sonho, lamentávelmente acaba sendo tarde demais para tal. Eis que emerge o "multi-profissional", o qual possuí duas ou mais profissões, uma por necessidade e a outra por hobby, cá entre nós, se pudessem, ficariam somente com a segunda.
Me pergunto o que será daqui pra frente quando todos perderem a vontade de descobrir com que áreas realmente se identificam. Óbviamente todos temos/teremos que pagar contas, mas não é com o pensamento apontado apenas em obter dinheiro que as coisas funcionam. Se dizem que passamos a maior parte de nossas vidas no ambiente de trabalho, que o mesmo sejá agradável e que o que se exerce seja compatível com sua personalidade, interesses e gostos.
Ao contrário de muitos, não admiro quem trabalha com o que não gosta apenas por dinheiro, apenas respeito os que o fazem por necessidade.
Domingo, Janeiro 17, 2010
Brand New Year
Dezoito dias após a virada não é época adequada pra se postar algo do tipo “Feliz Ano Novo, que tudo seja melhor daqui pra frente”, porém, não deixa de ser época de mudanças, das quais reclamamos muitas vezes. Sinceramente, se não houver um meio termo, então que seja assim, uma metamorfose constante ao invés de rotina entediante.
Emprego novo, menos papelada, novos lugares e mais pessoas novas por favor. E só pra contrariar o contexto: “Feliz Ano Novo, que tudo seja melhor daqui pra frente”.
Quarta-feira, Novembro 18, 2009
Soma pills, hope pills
Soma, alucinógeno utilizado pelos personagens do romance Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Pudera existir algo similar que além do efeito não deixasse rastros ou consequências, mas o intuito não é a fuga da realidade e sim o aniquilamento de certas questões que insistem em ir e vir.
Interessante notar, por mais fraco que seja, a espécie de impulso automático que há dentro de nós em momentos não tão favoráveis, nosso alucinógeno estimulante natural.
Domingo, Novembro 15, 2009
CCTV | Ink
A CCTV (Chinese Central Television) é a principal emissora da China, formada por 18 canais que exibem programação diversificada. Sua abrangência e poder podem ser justificados pelo fato da rede pertencer ao orgão de comunicação do Governo Chinês.
Para representar tamanha influência, as produtoras Troublemaker.TV e Wearefink produziram um comercial de 60 segundos para o canal. A mensagem da vinheta é bem visível, mostrando a partipação da emissora nos principais acontecimentos da história do país através de gotas de tinta que se concretizam em imagens e elementos de sua cultura.
A maioria dos elementos econtrados são fáceis de reconhecer, porém a série de edifícios no final do comercial é a sede da emissora em Pequim que também é considerada um ponto turístico por sua arquitetura.
No site da produtora também pode ser encontrado o making of do comercial.
No site da produtora também pode ser encontrado o making of do comercial.
Domingo, Novembro 08, 2009
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